Feriado sem nada pra fazer

Chegou.

O quê?

O final de semana.

Ah, mas não é um final de semana qualquer.

É, realmente, não é.

O que esse final de semana tem de tão diferente? Você não tem programação alguma e a previsão é de chuva o até terça.

Aí é que está a grande diferença.

O quê, a chuva?

Não, o final de semana, na verdade vai até quase a metade da outra semana.

Caramba, eu não tinha percebido. Tem o feriado.

Po, mas nem vai dar praia.

Praia para quê?

Ué, o que você faz na praia?

Nada.

Então, o feriado vai chover.

Nada melhor do que poder não ter nada para fazer em um lugar que você não faz nada.

Sou político, muito prazer.

Um político ao ser apresentado para uma pessoa nunca diz “muito prazer”. Essa atitude é para não correr o risco de decepcionar o eleitor, caso já tenha o encontrado em outra oportunidade. Por isso, segundo a cartilha dos políticos, o ideal é dizer “como vai?”.

Não é um dia qualquer. É sábado.

Mais um sábado chegou. A janela do quarto ficou entreaberta propositalmente. Não poderia perder a hora naquele dia.

O sol abraçando os prédios foi ganhando cada pedacinho da cidade.  Era um movimento tão harmonioso, que parecia o roteiro digno de Oscar. Um filme com direito a trilha sonora, composta pelos passarinhos. Parecia que tudo estava ensaiado. Um a um começou a cantar, como se a leve brisa da manhã balançasse do galho da árvore ditando o ritmo da orquestra.

No céu, nenhum avião. Nenhum helicóptero. Nada que pudesse interferir um lindo amanhecer de sábado.  Tudo estava perfeito. Até que de repente, do nada, surgiu um som. Era como se fosse uma pontinha de luz no final do túnel. Aquela que começa pequena e vem crescendo. Quis entender o porquê daquele som ali, no meio de uma linda manhã. E ainda mais de sábado. Um som muito estranho, destoante de tudo o que estava acontecendo. Podia ser uma sirene. Mas não havia nenhum carro ao redor.

Com o passar do tempo, o som aumentava. Eu acreditava que vinha na minha direção, mesmo sem saber por qual lado se aproximava. O desespero foi tomando conta. Minha reação foi correr. Só que o mais curioso é que eu fazia um esforço tremendo e não saía do lugar. O som estava se aproximando, ficando insuportável. Eu tentava correr em vão. Mesmo sem conseguir identificar alguma coisa, eu tinha certeza que aquele som vinha ao meu encontro. E veio mesmo. Num piscar de olhos, fui atropelado pelo som e levei um susto. Foi aí que percebi que tudo não passou de um sonho. Que mesmo em um sábado, foi interrompido pelo despertador.

Pra não dizer que não falei de Muricy.

Vou tentar não ser chato e falar com paixão de torcedor. Ainda não entendi as razões concretas de Muricy ter abandonado o Fluminense.

Muricy saiu atirando para todos os lados. Sobrou até para os ratos. Externou problemas que há muito, mas muito tempo mesmo o Fluminense empurrava com a barriga. Literalmente, se lembrarmos de 2005.

Um título carioca aqui. Uma Copa do Brasil ali. Boas campanhas no Brasileiro, Sul Americana, Libertadores, além de vários medalhões que enchiam a torcida de esperança a cada ano.

Mas ao olhar para trás, o que vemos são 10 anos com a mesma história sendo contada. Desde quando Parreira assumiu o clube na Série C, a promessa de reconstrução do Fluminense é feita.

A dívida só aumentou. Xerém, que era para revelar jogadores, vende como num feirão de final de semana: a preços imperdíveis. Ainda mais quando se trata com o mercado exterior. E as Laranjeiras onde o time treina, tem um projeto pronto. Para ser tombada como patrimônio histórico e cultural.

Muricy, vamos ser sinceros. De longe você não enxergava isso?

Os problemas no Fluminense se arrastam há anos. Mesmo em outro clube, não é possível um profissional do seu gabarito não perceber.  Ainda mais você, que vive do futebol e tem passagens por clubes onde as estruturas são verdadeiros exemplos. Não dá para acreditar que você assinou um contrato achando que em dez meses tudo fosse mudar.

Muricy, eu concordo com você. O Rio é uma cidade mágica, que encanta. Mas você perdeu a noção de que nada se transforma da noite para o dia.

A torcida te queria de braços dados. Você não teve a paciência de esperar. Que assim seja. Esperar não é saber. Deve ser por isso que paixão de torcedor não se explica.

Fica assim, Muricy. Você vai caminhando e nós continuamos seguindo a canção: Sou tricolor de coração, do clube tantas vezes campeão.

Desejos para 2011.

Não descobrí nenhuma lâmpada e muito menos apareceu um gênio na minha frente. Por isso, pude fazer mais do que apenas três desejos. Se vão se realizar é outra história, que só poderá ser contada no final deste ano. Enquanto isso, não custa nada desejar.

Desejo que em 2011 você veja mais seus amigos. Mas que não seja pelo computador.

Desejo que em 2011 você consiga pular as sete ondinhas sem perder o fôlego.

Desejo que em 2011 sua dor na barriga seja de tanto rir. E não do perú que você comeu na ceia.

Desejo que em 2011 você poste aqui: I´m at @ lotérica (para pegar seu prêmio milionário da mega sena).

Desejo que em 2011 seus amigos do facebook e todo mundo curta os seus trabalhos.

Desejo que em 2011sua felicidade seja muito mais que receber um simples RT.

Desejo que em 2011 você não jogue oferendeas para Iemanjá. Mas que dê muitas festas em seu iate pelo alto mar.

Desejo que em 2011 você não escute mais os trocadilhos com entrada e saída do perú. E nem da mangueira no carnaval.

Desejo que em 2011 você beba só nesse restinho de ano que tem pela frente.

Desejo quem em 2011 a Simone não cante no Natal e o Restart o ano inteiro.

Desejo que em 2011 você bata todas as suas metas. E sirva com vodka e muito gelo.

Desejo que em 2011 eu tenha um milhão de amigos. E que cada um me dê um real.

Desejo que em 2011 você tenha muitas conquistas para comemorar. Especialmente as do Fluminense.

Desejo que em 2011 você esteja por aí para ver os desejos para 2012. E que isso não seja o fim do mundo.

E você, tem um desejo especial para 2011? Escreve aí.

São Paulo, obrigado. Magina.

Você sabe o que é magina? Sim, isso mesmo: M-A-G-I-N-A.

Há sete meses estou em Sampa e ainda não vi quase nada dessa imensa cidade. Para conhecer e aproveitar tudo, ou boa parte do que tem aqui, nem sei quantos anos será preciso. O que já deu para perceber, primeiro de tudo, é como tem gente nesse lugar. Pelamordedeus. Qualquer coisa que você vá fazer, tá lá ela, a fila. Sim, ela mesma, pode acreditar.

Metrô à noite, ônibus de madrugada, restaurante fora do horário de almoço, não tem hora. Aqui em São Paulo nunca você vai a um lugar e está tudo tranquilo, vazio. Ao menos algumas pessoas estão na sua frente. Aqui eu acho que qualquer tipo de comércio ou prestação de serviço dá certo. E é impressionante como as pessoas pagam a conveniência. A expressão “piscou, gastou” nunca fez tanto sentido. Mas veja bem, nem to criticando, porque na média geral, o serviço é muito bom. Tirando como base os butecos… rs

Mas, o mais engraçado de tudo que presenciei e até hoje me divirto ao ouvir é a tal da – ou seria do – magina. O desavisado pode achar que é alguma gíria para se referir a tantas marginais ou um jeito mais curto de chamá-las. Mas não é. E falando em jeito curto, uma característica em São Paulo também é as pessoas abreviarem o nome das outras. Fe, Ne, Ca, Sa, Ma, Li… e por aí vai. Isso pode ser até o tema do próximo post. Mas o que eu gostaria muito de me referir é o ou a magina.

Cada cidade tem suas manias, seus sotaques e isso é muito claro e óbvio em nosso Brasil varonil. E para entender o magina, que tem um significado muito simples, antes eu gostaria de agradecer a sua leitura deste post até aqui. Portanto, seu eu estou agradecendo, o que você dirá? “De nada” ou magina?

Se você estiver em São Paulo, as chances de dizer magina são bem grandes.

Na eleição, eu vou ser ignorante.

Sim. Nessa eleição eu vou dizer não. Nunca antes na história deste país me deu tanta vontade de anular o voto.

Sempre defendi que anular é a coisa mais ignorante que uma pessoa pode fazer. Ignorante sim. Por mais que não tenha nenhum candidato, que ache que todos não valham nada, escolha um que tenha ao menos uma ideia, umazinha que seja, para você ter uma justificativa de votar em um cidadão.

Generalizar? Nunca dá. E mesmo sem ter participado de tantas eleições, eu já estou enjoando disso. O poder nas mãos dos mesmos durante um longo período faz mal. Por mais que seja bem sucedido em uma área, na outra nunca é. FHC estruturou e privatizou. Já Lula, continuou e assistencializou. E lá se foram 16 anos.

Durante esse tempo, o Brasil cresceu. Não dá para negar. O país está em pleno desenvolvimento? Eu acredito. O que não dá para acreditar é que alguns palhaços de profissão (agora, não é dos políticos que estou falando) fazem sucesso numa eleição no período, no século, em que nós estamos. E o que me deixa mais impressionado é como tem gente querendo encostar no cargo de político. Tanta gente despreparada – ou seria desesperada? – que certamente estará entre os próximos figurões do nosso país. Argh!

Às vezes fico pensando que poderia ser criada uma espécie de graduação para o sistema funcionar melhor. Explico. Para começar a carreira, o cidadão primeiro teria que ser eleito por votos diretos em algum cargo na sua cidade. Em seguida, no seu estado, para depois chegar à esfera federal.

Mas será que o crescimento e a experiência na vida pública próxima de seus eleitores resolveriam os problemas e somente os competentes subiriam de cargo? Ou seriam criados mais “currais” eleitorais assistencialistas e de interesse próprio? Não sei. Também tenho muitas dúvidas. Sabe por quê? Porque a descrença é tão grande que nada que seja proposto nesse assunto eu acredito que vá dar certo.

Enquanto eu não encontrar uma ideia, umazinha que seja, vou me sentir um ignorante. E um ignorante eu disse o que faz, no início deste post.