Mais um sábado chegou. A janela do quarto ficou entreaberta propositalmente. Não poderia perder a hora naquele dia.
O sol abraçando os prédios foi ganhando cada pedacinho da cidade. Era um movimento tão harmonioso, que parecia o roteiro digno de Oscar. Um filme com direito a trilha sonora, composta pelos passarinhos. Parecia que tudo estava ensaiado. Um a um começou a cantar, como se a leve brisa da manhã balançasse do galho da árvore ditando o ritmo da orquestra.
No céu, nenhum avião. Nenhum helicóptero. Nada que pudesse interferir um lindo amanhecer de sábado. Tudo estava perfeito. Até que de repente, do nada, surgiu um som. Era como se fosse uma pontinha de luz no final do túnel. Aquela que começa pequena e vem crescendo. Quis entender o porquê daquele som ali, no meio de uma linda manhã. E ainda mais de sábado. Um som muito estranho, destoante de tudo o que estava acontecendo. Podia ser uma sirene. Mas não havia nenhum carro ao redor.
Com o passar do tempo, o som aumentava. Eu acreditava que vinha na minha direção, mesmo sem saber por qual lado se aproximava. O desespero foi tomando conta. Minha reação foi correr. Só que o mais curioso é que eu fazia um esforço tremendo e não saía do lugar. O som estava se aproximando, ficando insuportável. Eu tentava correr em vão. Mesmo sem conseguir identificar alguma coisa, eu tinha certeza que aquele som vinha ao meu encontro. E veio mesmo. Num piscar de olhos, fui atropelado pelo som e levei um susto. Foi aí que percebi que tudo não passou de um sonho. Que mesmo em um sábado, foi interrompido pelo despertador.